Saúde pública e privada em Portugal: como está sendo a contenção da crise?

Saúde pública e privada em Portugal: como está sendo a contenção da crise?

02.04.2020

Se você está pensando em morar em Portugal, uma das maiores dúvidas que devem ter surgido recentemente é como o Sistema de Saúde Nacional (SNS) e a rede particular de hospitais está dando conta da contenção do surto de coronavírus, certo? Afinal, não existe prova maior para a capacidade de um país de lidar com crises sanitárias do que essa.

Por isso, aqui vai um apanhado dos principais números que você precisa conhecer e como o país está encarando essa crise de saúde global.

Como está a situação da saúde em Portugal hoje, com o COVID-19?

É importante entender que possivelmente quando você estiver lendo esse texto, os dados já estarão desatualizados, dada a rapidez do avanço da doença. Mas, neste momento em que escrevo, temos aqui 2060 infectados, destes, 201 internados e apenas 47 em cuidados intensivos. Além disso, 14 pessoas foram recuperadas do coronavírus e 23 faleceram.

coronavírus

Hoje, mesmo sem ter parado totalmente a economia e com alguns setores ainda funcionando, a taxa de mortes de Portugal é de 1,1%, uma das mais baixas da Europa. Além disso, até o momento, todas as pessoas que têm necessidade de testes estão sendo testadas no país e o pico dos casos está previsto entre os dias 9 e 14 de abril.

Como está a situação dos hospitais e dos testes de coronavírus?

O COVID-19 é um grande desafio para qualquer país. Não só ele exige muito dos profissionais da área médica, como também precisa de uma quantidade anormal de equipamentos (para evitar seu alto grau de contágio) e de equipamentos de cuidados intensivos, que, em geral, não são tão requisitados em uma situação comum.

Para responder a essa demanda tão exacerbada, veja como está agindo o sistema de saúde português.

Material

Na semana passada, 2,5 milhões de máscaras e 150 mil equipamentos de proteção individual chegaram a Portugal. Nessa semana, chega da China um carregamento com 2 milhões de máscaras cirúrgicas e outras 2 milhões de máscaras FFP2. Esse material está sendo comprado de várias fontes, sempre que necessário e está, inclusive, sendo produzido internamente em preparação para o pico do coronavírus no país.

Máscaras cirúrgicas

António Costa, o primeiro-ministro, já informou que está trabalhando junto com empresas portuguesas que estão reorientando a sua produção e passando a fabricar equipamentos para o SNS. Dessa forma, o negócio segue ativo, os empregos continuam garantidos e ainda nos preparamos para o pior que está por vir.

Um exemplo disso foram as empresas do setor têxtil, que aderiram às centenas ao pedido do governo e começaram a produzir tanto máscaras quanto vestes médicas.

Além disso, o governo está também apoiando empresas dentro do país que estão desenvolvendo formas de testar a doença, para tornar isso uma atitude mais massiva. E, por fim, há também o incentivo a um centro tecnológico, que está desenvolvendo condições para que qualquer empresa produza ventiladores respiratórios. Esse conhecimento será compartilhado para que o país consiga ter o máximo desse equipamento possível disponível a tempo. Até o momento, os ventiladores existentes vêm sendo suficiente.

Hospitais

Existem mais de 35 mil leitos hospitalares em Portugal. Cerca de 1400 contam com equipamentos de ventilação e o número de leitos de UTI é por volta dos 1500. Além disso, novos 500 ventiladores já foram comprados da China e chegarão em parcelas até o pico do coronavírus em Portugal.

Dos 35 mil leitos existentes, cerca de 68,2% eram públicos (contagem de dados feita em 2015), enquanto 31,8% era da rede privada. Além disso, dos 225 hospitais existentes, 114 são públicos, enquanto 111 privados.

A partir de quinta-feira dessa semana (26 de março), as áreas hospitalares dedicadas ao COVID-19 estarão expandidas e serão dedicadas. O esforço visa ampliar a capacidade de tratamento e acelerar a cura dos doentes, para que mais pessoas possam se tratar em casa. Os hospitais privados também vão receber pacientes dos hospitais públicos para desafogar a demanda e, se necessário, ceder ventiladores respiratórios.

Para multiplicar os reforços, foram montados hospitais de campanha em Lisboa e no Porto, para expandir a capacidade de tratamento e realizar os testes da doença.  

E se a preocupação é faltarem profissionais para ajudar nesse combate, o governo também agiu nesse sentido. Foram decretadas medidas para desburocratizar a contratação de profissionais de saúde e eliminar os critérios etários. Assim, será possível trazer novos profissionais para a linha de frente, inclusive médicos aposentados e experientes. 

Os testes

A capacidade de testes diária é de 4000 por dia, sendo 2500 no SNS e 1500 nos hospitais privados. Ela vem sido aumentada progressivamente, com compras conforme a necessidade, e pode ser expandida em breve, com os testes rápidos que foram mencionados acima.

testes em clínicas

Além disso, existem também centros de rastreio da doença, majoritariamente de iniciativa pública, que são drive-through, ou seja, a pessoa consegue ser testada agilmente, sem sequer sair do carro, recebendo online o resultado. Ao todo, já são 9 tendas instaladas com capacidade para testar mais de 1600 testes diários. Pelo menos 3 novas tendas serão montadas nesta semana e a capital, Lisboa, tem capacidade para montar ainda 8 unidades dessas.

E a economia?

Além da saúde, falamos em outro conteúdo sobre a contenção da crise econômica em Portugal? Se ainda não viu, vale a pena dar uma olhada para acompanhar todas as medidas que o governo tem implantado para não deixar a peteca cair no lado econômico.

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