A Rota dos Queijos AOP de Auvergne, na França

A Rota dos Queijos AOP de Auvergne, na França

26.10.2020

Quer um bom motivo para conhecer a região central da França? Pois nós vamos te dar cinco, ir-re-sis-tí-veis! 

Cinco é o número de queijos com denominação de origem fabricados no Maciço Central, um local de natureza exuberante, com longas cadeias de montanhas verdes, lagos calmos de altitude e vulcões adormecidos.

Não, não confundimos o país! Estamos falando mesmo da França, mais precisamente do que você irá encontrar na Rota dos Queijos AOP de Auvergne. 

Nessa viagem cheia de paradas degustativas pelo interior da França, prepare-se para descobrir um território geologicamente fascinante e mergulhar na arte milenar de fabricação dos queijos franceses, uma das tradições mais antigas e respeitadas do país. 

Embarque de carona conosco e conheça agora os detalhes desse delicioso destino gastronômico da França!

Aquecendo os motores: onde fica Auvergne?

Auvergne é uma região localizada no centro sul da França, limitada a oeste pela região de Limousin e pelos desfiladeiros da Dordonha e, a leste, pelas montanhas do Parque Nacional Livradois-Forez.

Continua perdido? 

Esse cantinho bucólico da França realmente fica afastado das grandes cidades turísticas como Paris, Bordeaux e Marselha, mas graças a extensa malha viária francesa não é assim tão difícil acessá-lo como parece. 

Auvergne

A principal cidade da região – e ponto de partida ideal para conhecer Auvergne – é Clermont-Ferrand, no departamento de Puy-de-Dôme, e você pode chegar lá usando transporte público. 

De trem, a cidade está localizada cerca de 3h30 de Paris, 2h20 de Lyon ou 4h30 de Marselha.  

Para explorar a rota dos queijos de Auvergne, entretanto, a melhor maneira é alugar um carro. É possível alugar um na chegada em Clermont-Ferrand ou, ainda, na cidade de Lyon. Nessa segunda opção, em menos de duas horas você já estará dirigindo pela deliciosa Route des fromages AOP d’Auvergne.

Dando a partida: O que é um queijo AOP?

A sigla AOP significa Appellation d’Origine Protégée, um selo indicador de procedência e qualidade que, no Brasil, traduzimos como DOC ou Denominação de Origem Controlada.

Quando falamos em queijo AOP, falamos de um queijo produzido em uma área geográfica delimitada, conforme regras específicas certificadas pela União Europeia.

É o caso, por exemplo, do queijo Grana Padano na Itália, do Serra da Estrela em Portugal e dos queijos de Auvergne que degustaremos a seguir.

Na prática, o selo AOP tem o objetivo de preservar as tradições culinárias e evitar fraude. Somente o queijo com selo AOP possui a garantia de ser proveniente de uma região específica, ligado às suas características naturais distintivas e de ser produzido conforme o saber-fazer tradicionais.

Assim, um queijo AOP carrega todo o traço histórico, o fator humano e o DNA do seu território, que são únicos no mundo e, por isso mesmo, tão especiais.

De toda França, Auvergne é a região francesa que produz o maior número de queijos AOP! Uma prova irrefutável da vocação que essas terras carregam quando o assunto é transformar leite em queijo. 

Curioso para saber quais são eles? Os cinco queijos AOP de Auvergne são:

Cantal

Saint-Nectaire

Bleu d’Auvergne

Fourme d’Ambert

Salers

Engatando a primeira: Bem-vindo à Rota dos Queijos de Auvergne!

Antes de iniciar a nossa trilha do queijo, não podemos deixar de dizer que os destaques desta viagem são definitivamente os Puys, os picos das montanhas e vulcões do Maciço Central. São dessas montanhas que vem os queijos com denominação de origem de Auvergne. 

Por essa razão, a rota dos queijos de Auvergne AOP foi desenhada para o visitante descobrir os cinco tesouros lácteos da região enquanto conhece a geografia da região, curte os prados verdes e visita as aldeias de pedra.

A velocidade e o rumo do passeio ficam por conta de cada visitante: a estrada não tem pontos de partida e de chegada rígidos e permite planejar paradas em 40 diferentes lugares para descobrir os sabores e os segredos dos queijos da região.

Os pontos de interesse incluem visitas a fazendas leiteiras, a caves de maturação e, claro, degustação dos cinco queijos de Auvergne que apresentam características muito diferentes.

Para encontrá-los, um aliado valioso nessa peregrinação pelos sabores de Auvergne, é a Carte de la Route des fromages AOP d’Auvergne, um mapa disponível nos postos de informação ao turista espalhados pelo percurso, também acessível neste link aqui, no site dos produtores.

Depois é só seguir as placas com as indicações Route des Fromages AOP d’Auvergne e aproveitar para descobrir as atrações naturais associadas a cada uma das etapas.

Primeira parada: Fourme-d’Ambert

Queijo Azul

Que tal começar a rota dos queijos de Auvergne provando um queijo azul? 

O Fourme d’Ambert é um dos mais antigos queijos franceses, conhecido desde a época pré-romana, tradicionalmente feito nas montanhas do Livradois-Forez

Seu valor e reputação nos tempos antigos fez com que esse queijo azul fosse usado de moeda de troca do aluguel das pastagens no século XVIII.

Hoje, segundo a regulamentação, o Fourme d’Ambert só pode ser produzido entre 600 e 1.600m acima do nível do mar, em áreas específicas das montanhas dos departamentos de Puy-de-Dôme, Cantal e Loire.

Aliás, para quem visita Auvergne na primavera ou no verão, um passeio altamente recomendado – entre um pedaço de queijo e outro – é uma visita ao Parque dos Vulcões. São 80 no total, dos quais o Puy de Dome se destaca. 

Esse antigo vulcão extinto é o ponto mais alto da área de onde se tem uma vista 360° da cadeia de Puys, como são chamadas as montanhas vulcânicas nessa região. 

O acesso ao cume fica a apenas 15 minutos do centro de Clermont-Ferrand, mas não é possível subir com o carro, que encontra estacionamento gratuito no local. Se você faz o tipo esportista, pode se aventurar em subir o vulcão a pé, em uma hora de caminhada. Para os menos preparados, o trem Panoramique des Dômes leva você ao cume em menos de 15 minutos. 

Na descida, siga para a cidade de Ambert, pare na “Maison de La Fourme d’Ambert” e se delicie provando esse doce e delicado queijo azul. Até mesmo os que torcem o nariz para os queijos marmoreados de penicillium vão se surpreender ao provar esse queijo azul de gosto suave e equilibrado de Auvergne.

Segunda Parada: Saint-Nectaire

Saint-Nectaire

Um pouquinho mais ao sul da rota, estão os produtores do Saint-Nectaire, um queijo de leite de vaca redondo e plano, coberto por uma casca florida de cor laranja acinzentada.

O que? Achou a descrição meio estranha? 

E se dissermos que apesar da aparência duvidosa o Saint Nectaire lembra o gosto de avelãs?

Seu sabor único e inconfundível faz dele o rei dos queijos AOP de Auvergne, com 14.000 toneladas de queijo produzidos a cada ano por mais de 200 produtores.

Mas seu sabor não caiu nas graças do público somente agora. Já no século XVII o Saint Nectaire fazia sucesso entre a nobreza, marcando presença nos banquetes do rei Luís XIV.

Para encontrar e provar o Saint Nectaire é fácil. São mais de dez pontos de vendas espalhados pela rota e ao menos dezoito fazendas produtoras que abrem suas portas aos visitantes que percorrem a rota dos queijos de Auvergne.

Terceira parada: Bleu d’Auvergne

Queijo Azul

Na sequência da rota surge o Bleu d’Auvergne, outro queijo azul de renome na França.

É o novato dos queijos da região, inventado “apenas” no século XIX e de um jeito bem curioso. Foi um fazendeiro chamado Antoine Roussel quem, na base de tentativa e erro, chegou a produzir o primeiro Bleu com a ajuda de um pão de centeio mofado e agulhas de tricô usadas para perfurar a massa coalhada. Com o tempo a técnica foi refinada, mas o princípio continua o mesmo. 

Hoje, o Bleu d’Auvergne é o queridinho dos amantes de queijos azuis com sabor forte. Sua massa marmorizada macia, tem aroma de cogumelos frescos e sabor intenso e equilibrado, mais pronunciado que o vizinho Fourme d’Ambert.

Quem passeia pela rota dos queijos de Auvergne encontra ao menos sete pontos de interesse para conhecer o processo de fabricação do Bleu d’Auvergne. Basta seguir as placas indicativas no coração das Montanhas Douradas quando se atinge uma altitude entre 500 e 1000 metros. É ali que que estão os melhores campos de pastagem, onde as vaquinhas se alimentam tranquilamente de uma vegetação abundante e variada.

Quarta parada: Cantal

O Cantal tem uma história que se estende por dois mil anos, o que faz dele um dos queijos mais antigos da França! Ele é produzido com leite de vaca e assim como seus irmãos de Auvergne, sua produção também está intimamente ligada ao terroir de montanha.

Para quem chegou até o departamento de Cantal e quiser conhecer a geografia e a paisagem de Auvergne sobre outro ângulo, é bem-vindo ao topo do vulcão Puy Mary, para um salto de paraquedas ou um voo de parapente.

Você é do time que prefere a terra firme?

Então siga pela rota dos queijos de Auvergne até encontrar o próximo fermier ou produtor de Cantal e se prepare para fazer uma degustação dos vários “tipos” do mesmo queijo.

É que o sabor e a consistência do Cantal variam conforme os meses de maturação, sendo classificados como jeune (de um a dois meses de envelhecimento), entre-deux (de três a sete meses) e vieux (com mais de oito meses de maturação). 

Vá no primeiro se você gosta de queijos com sabor doce e amanteigado, mas encare até o último pedaço para sentir todas as nuances desse tão apreciado queijo francês.

E quando for parar para fazer uma boquinha com mais sustância, continue no clima e peça a “truffade” num dos restaurantes típicos da rota: um prato feito com batatas assadas em gordura de porco, mergulhadas em bacon e Cantal jovem derretido. Vai resistir?

Quinta e última parada: Salers

Ao lado dos produtores de Cantal estão os fabricantes de Salers, um queijo semiduro cuja produção há séculos influencia a vida dos locais. 

Anteriormente, ele era produzido perto da cidade medieval de Salers, localizada a 930 metros acima do nível do mar, mas hoje sua área de produção é bem maior, abrangendo várias fazendas localizadas nos maciços vulcânicos de Auvergne. 

Aparentemente muito semelhante ao Cantal, ele se distingue por ser um queijo sazonal, produzido somente de 15 de abril a 15 de novembro, quando as vacas se alimentam apenas do capim das montanhas vulcânicas e produzem o seu melhor leite.

Além disso, durante a ordenha, o leite deve ser coletado em um recipiente de madeira específico, denominado gèrlo. É a microbiota viva na madeira que dona ao queijo de Salers sabores exclusivos.

Depois de pronto, esse queijo de 40 kg chega a ser envelhecido por oito meses antes de ser comercializado, que é quando o Salers exprime todo o seu potencial sensorial. Para prová-lo, peça por “Salers Vieux” ou “old Salers” se o seu francês estiver enferrujado. 

E se acaso te oferecerem um “Tradition Salers” pode ficar bem feliz, comprar e colocar na mala. Essa variedade é elaborada exclusivamente com leite da vaca Salers, animal nativo do Cantal, e por isso mesmo, tem um sabor ainda mais especial.

E para quem está convencido a visitar a região e trazer um exemplar de cada um dos queijos para a casa, aqui vai a nossa última dica: comece degustando o mais suave, o Saint-Nectaire, passando depois pelo Cantal. Em seguida, prove o Salers e deixe os queijos azuis para o final. Comece pelo Fourme d’Ambert e, por último, se delicie com o sabor intenso do Bleu d’Auvergne. 

E quando os queijos acabarem é hora de programar a próxima visita à França: agora você já sabe onde encontrá-los. 

Descubra também as Principais Regiões Vinícolas da França: onde ficam, quando e por que visitá-las e um Roteiro Completo de 7 dias pela França

POSTS RELACIONADOS

Visitar

A Rota dos Queijos AOP de Auvergne, na França

26/10/2020
Visitar

7 DIAS PELA FRANÇA: ROTEIRO COMPLETO

21/08/2020
Visitar

Melhores cidades para morar na França

10/08/2020