Viajar de carro pela Europa: vantagens e desafios

Viajar de carro pela Europa: vantagens e desafios

30.10.2019

Faz um ano que o nosso carro brasileiro aportou em solo europeu. Desde então, lá se vão mais de 15 mil quilômetros rodados pelas fantásticas autoestradas da Alemanha, pelas paisagens cinematográficas da Áustria e pelas estradas sinuosas da bela Itália. Também demos um pulinho na Bósnia, passando pelo estonteante litoral da Eslovênia e o tranquilo interior da Croácia.¹

Há alguns dias começamos a nossa road trip na França e agora estamos reaprendendo a viajar de carro pela Europa.

Sim, reaprendendo. É que além de possuir suas próprias leis de trânsito, cada país europeu tem hábitos e costumes próprios na hora de dirigir e que mudam, inclusive, dentro de uma mesma nação. Mas este talvez seja o desafio mais prazeroso que enfrentamos quando pensamos em viajar de carro pela Europa. Afinal, temos a oportunidade de conhecer a cultura local enquanto guiamos por grandes e belas cidades cosmopolitas, por serras com montanhas nevadas, por orlas de mares azuis estonteantes e por estradas bucólicas cercadas de árvores centenárias!

É por isso que viajar de carro pela Europa no último ano tem sido uma mistura de curtição e superação de adversidades. Nesse post, nós reunimos as principais vantagens e desafios que encontramos em nosso dia-a-dia ao viajar de carro pela Europa.

Estão com os cintos apertados? Comecemos, então, pelos desafios!

Como dissemos, viajar de carro pela Europa é sensacional, mas, em alguns momentos, dirigir deixa de ser prazeroso e se torna um desafio.  Confira as situações rotineiras mais complicadas que temos enfrentado pelas estradas europeias.

Sinalização em idiomas diferentes

Não é porque a maior parte dos países da Europa assinaram o Tratado Schengen – que permite a livre circulação de pessoas sem estarem sujeitas a controles fronteiriços -, que foi adotado uma linguagem única no trânsito.

Aliás, o multilinguismo é um dos princípios fundadores da União Europeia e por isso cada país mantém o seu idioma escrito nas placas, principalmente em estradas secundárias e dentro das cidades. Apenas rodovias maiores possuem alguma indicação em inglês.

Portanto, um simples “proibido estacionar”, “curva perigosa adiante”, “semáforo a poucos metros” podem estar escritos em 24 línguas diferentes, o número de idiomas oficias da União Europeia (até agora).

Para indicações genéricas, o desenho ajuda, é claro. O problema está nas exceções. Ler uma placa em Esloveno para saber se naquele horário é permitido estacionar naquela vaga que você encontrou não é tarefa das mais fáceis.

Dificuldade para encontrar estacionamentos em grandes cidades ou cidades turísticas

Assim como acontece nas capitais do Brasil, encontrar estacionamento nas grandes cidades europeias pode ser complicado. Se a cidade for turística, como Milão ou Barcelona, ainda pior. O desafio fica ainda mais complicado se a intenção é visitar o centro dessas cidades, já que muitas das vias são destinadas apenas para pedestres.

Porém, como dissemos, esse não é um problema exclusivo da Europa, mas uma questão urbanística enfrentada em várias cidades no mundo. Em última hipótese, sempre haverá um estacionamento pago, ainda que distante, para resolver esse problema.

Estradas estreitas e com limitação de altura

Viajar de carro pelo velho continente tem um outro grande desafio: as cidades são muito antigas e parte das estradas não foram projetadas para estarem ali, bem rente à parede de um grande prédio histórico. Nessas passagens, que antigamente serviam de caminho para cavalos e carruagens, as estradas ficam bem estreitas e, em alguns casos, só é possível passar um carro por vez, ainda que a rua seja mão dupla.

Pontes, viadutos e túneis com altura reduzida também são comuns na Europa. É importante saber certinho quanto mede o seu carro e ficar muito atento à sinalização.

Na famosa região da Costa Amalfitana, por exemplo, carro maiores, como motorhomes, não podem trafegar e, em Cote D´Azur, no sul da França, automóveis com altura superior a 1,90m não conseguem entrar em vários estacionamentos, públicos e privados.

Preço do combustível e dos pedágios

Em se tratando de Euro, tudo fica automaticamente mais caro para nós brasileiros. O preço do combustível aqui na Europa, entretanto, consegue superar o praticado no Brasil que, convenhamos, já não é barato.

O preço não é tabelado em toda a Europa e cada país adota a sua própria política de impostos e incentivos sobre o combustível. Entre os países europeus pelos quais passamos no último ano, a Eslovênia ganhou com o preço mais baixo: €1,27 o litro do diesel. Já o valor mais caro encontramos na Sicília: €1,65/litro.

Em relação aos pedágios, eles são um problema em longas distâncias, já que aparecem com frequência. Se tiver um túnel ou uma ponte no meio do caminho, o preço vai para a estratosfera. Para um veículo pequeno atravessar o túnel de Mont Blanc que liga a Itália e a França, por exemplo, é preciso desembolsar €46. Além disso, países como a Áustria e a Suíça cobram uma taxa para poder circular de carro no país, mesmo que você queira atravessá-los de uma só vez, em um único dia.

Entender o funcionamento self-service dos postos de combustível

Faz tempo que frentista é uma profissão em extinção na Europa. Os postos de combustíveis são, na sua grande maioria, self-service. Na Itália, por exemplo, os postos que ainda mantém a possibilidade de ter o serviço feito pelo seu funcionário, cobram de 10% a 20% a mais no valor do combustível. Para quem quer economizar essa grana, o negócio é se virar!

Vinicius abastecendo o tanque de nosso carro, em uma de nossas viagens.

Como em uma viagem dificilmente voltamos ao mesmo lugar – e ao mesmo posto -, é sempre um aprendizado abastecer o carro. Lembram das placas em idiomas diferentes? Pois aqui as instruções também aparecerão em línguas diversas. Para quem está pensando em viajar de carro pela Europa, aí vai uma dica: regra geral, é preciso pagar primeiro para a bomba ser liberada e a forma de pagamento usual é em cartão. As máquinas, em geral, não aceitam dinheiro. Esteja preparado!

Adaptar-se ao jeito de dirigir do local

Apesar de ser tudo pertinho, cada país da Europa e mesmo cada região dentro de um mesmo país possui hábitos diferentes na hora de dirigir.

Na Alemanha, por exemplo, as autoestradas foram feitas para “voar”. Quem quiser andar devagar deve pegar as estradas secundárias.

Já em Catânia, na Sicília, o trânsito é bem caótico. Se você ficar esperando a vez de passar em um cruzamento em que supostamente você tem que ceder a preferência, vai morrer esperando! O jeito é entrar na dança e ir passando. O interessante é que apesar do trânsito ser uma confusão, ele se autorregula de um jeito surpreendente! Dificilmente você receberá uma buzinada ou deixará o motorista do lado irritado se tiver que mudar de direção abruptamente.

Ainda na Itália, de um modo geral, ninguém achará estranho se você estacionar na contramão de direção (nem em cima da calçada). Já na França, ao menos na região de Provence, o trânsito costuma ser exemplar. Os motoristas andam na velocidade permitida, sinalizam suas manobras antecipadamente e param na faixa de pedestres assim que alguém cogitou mentalmente atravessar a rua.

Seja como e onde for, deve-se estar sempre muito atento ao volante. Invariavelmente um péssimo hábito tomou conta dos condutores de todas as nacionalidades: dirigir falando ao celular.

E quais são as vantagens de viajar de carro pela Europa? 

Os desafios, como você viu, não são nenhum bicho papão para quem está disposto a conhecer alguma região da Europa dirigindo ou mesmo para quem precisa estar em mais de uma cidade europeia a trabalho. Viajar de carro pela Europa tem muitas vantagens! Confira algumas delas!   

Ausência de fronteiras

Ao todo são 26 países que fazem parte do Espaço Shengen, incluindo países que não pertencem à União Europeia, como é o caso da Suíça. Isso significa que nesses vinte e seis países não há controle nas fronteiras. Ou seja, não é preciso registrar a saída de um país e fazer o procedimento de entrada em outro. E isso, meus amigos, é uma baita vantagem! Fala aqui quem já atravessou várias fronteiras nos últimos dois anos, especialmente quando fizemos o trajeto do Brasil até Estados Unidos de carro.

O procedimento pode exigir vários documentos, seguros especiais e levar horas. Por essas razões, a ausência de controle nas fronteiras facilita e muito a vida de quem quer viajar de carro pela Europa!

Trânsito seguro e bem sinalizado

Falamos aqui em um contexto geral. É claro que alguns lugares o trânsito será mais ofensivo, mas nada que se compare a dirigir em uma rodovia federal no Brasil. As estradas apresentam boas condições, a sinalização e a iluminação são ótimas. Dificilmente você encontrará um tráfego com muitos caminhões.

Postos de combustíveis acessíveis e por todos os lados

Nós andamos com dois galões com capacidade para 20 litros de combustível no carro. Certamente eles não serão necessários aqui na Europa. Postos de Combustíveis estão por todos os lados, com funcionamento 24 horas (não tem frentistas, lembram?)

Nas estradas pedagiadas também é possível usufruir de áreas de descanso com mesas de piquenique, banheiros e lanchonetes para fazer refeições.

Sem risco de se perder em uma região perigosa

Ao contrário do que acontecia frequentemente conosco na América Latina, aqui na Europa o GPS pode até nos mandar por caminhos estranhos, mas certamente ele não nos levará a um lugar perigoso.

Apenas uma das diversas estradinhas encantadas do interior da Itália.

Pode parecer bobagem, mas se você já caiu no meio da noite em um lugar pouco iluminado na periferia de uma grande cidade por culpa do GPS entende o que estamos dizendo. De modo geral, na Europa, a sensação é sempre de muita segurança.

Mobilidade

Não é porque estamos falando da Europa que o mundo é perfeito. Apesar do transporte público ser muito eficiente, cidades menores ou no interior não são acessíveis por ônibus, trem ou metrô. Ao menos não em quaisquer horários ou sem tem quer pegar meia dúzia de ônibus e metrôs para chegar ao destino. Sentimos bem essa dificuldade enquanto o nosso carro chegava de navio do Estados Unidos e ficamos “a pé” cerca de um mês na Europa. Para irmos de Milão a cidade de Castelnuovo, vizinha a Turim, tivemos que pegar oito conduções!

Para quem tem o tempo contadinho e não quer perder muito tempo de deslocamento, viajar de carro é certamente uma vantagem também na Europa.

Flexibilidade nos horários e no trajeto

Fazer o próprio horário e planejar qual caminho seguir é a grande vantagem de viajar de carro pela Europa. Nenhum outro meio de transporte te dá mais liberdade e autonomia que um automóvel. Nele, você pode levar todas as suas malas e pertences com conforto; pode parar quando e onde quiser; tem a opção de percorrer o caminho mais curto ou mais longo e, assim, ter a opção de decidir a paisagem quer ver e os lugares que quer conhecer.

Enfim, seja para quem pretende alugar um Panda para conhecer o interior da Espanha, seja para quem sonha em dirigir uma Ferrari conversível pela orla da Costa Amalfitana ou, ainda, para quem quer fazer uma road trip intercontinental como nós, viajar de carro pela Europa tem seus desafios, mas certamente é uma experiência única e inesquecível.


¹ Para quem não conhece a nossa história, nós somos um casal que resolveu desbravar os sabores do mundo de carro! Clicando AQUI você encontrará mais informações sobre a gente e sobre a nossa aventura gastronômica pelo mundo.

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