Um projeto empreendedor ao redor do mundo

Um projeto empreendedor ao redor do mundo

30.10.2019

Pense rápido: se você encontrasse a lâmpada mágica agora, quais desejos faria ao Gênio da Disney?

Parece brincadeira boba de criança, mas foi pensando em uma pergunta como essa que acabamos mudando o curso das nossas vidas convencionais no interior de Santa Catarina para vivermos hoje o nosso projeto empreendedor ao redor do mundo.

Olá, muito prazer! Nós somos Vinicius e Daniela e há dois anos estamos viajando o mundo de carro, conhecendo e divulgando a cultura gastronômica mundial.

Ficou confuso? 

Trocando em miúdos – sempre bem temperadinhos e muito bem preparados: nós passamos os dias viajando e pesquisando quais são os ingredientes locais e as comidas típicas dos países; visitamos mercados públicos, pequenas feiras de rua e grandes cadeias de supermercados. Nós também investigamos os hábitos alimentares das pessoas e as tradições atrás de uma famosa preparação. Além disso, entrevistamos produtores, empresários, chefs de cozinha, confeiteiros, cervejeiros, enfim, os mais variados profissionais da área da alimentação. Entramos nas cozinhas dos restaurantes, nos laboratórios de sorvetes artesanais e nas áreas de produção dos mais diversos alimentos, de pequenas e grandes empresas. Depois compartilhamos tudo em nosso site e em nossas mídias sociais

Ah, claro, provamos muita comida também! De formigas mexicanas a trufas italianas: tudo que é comestível é objeto de interesse em nosso projeto gastronômico ao redor do mundo.

Conhecendo o processo de fabricação de embutidos, no sul da Itália.

Você pensou “incrível”, “maneiro”, “diferente”, “loucos” ou “corajosos” enquanto lia essas linhas? Ao menos é isso que costumamos escutar, de pessoas de diversas nacionalidades, quando falamos do nosso projeto… o que nos leva a crer que nem roteirista da Walt Disney teria imaginado um desejo assim!

E falando nisso, de onde surgiu essa ideia?

A brincadeira de pensar sobre os desejos mais profundos e verdadeiros deveria ser encarada com mais seriedade pelos adultos que já não tem tempo de assistir a desenhos animados.

A ideia do nosso projeto surgiu de uma reflexão séria e de uma conversa franca (que desencadeou várias outras até criarmos o “Provando o Mundo”).

Vinicius era dono de restaurante e estava pensando em abrir mais um. Ele adorava o que fazia e, mesmo trabalhando finais de semana e feriados, quando todos estavam na praia, jogando futebol ou descansando, ele nunca se queixava.

Já eu, Dani, era concursada. Havia estudado e conquistado o trabalho almejado por 8 entre 10 brasileiros: um emprego público federal. Estabilidade, salário justo no final do mês, férias de 30 dias, 20 dias de recesso no final do ano e plano de saúde quase sem custo eram algumas das vantagens do meu antigo emprego, para dizer o básico.

Éramos felizes, tínhamos carro, um lugar para morar e estabilidade financeira. Tudo parecia perfeito na vida de Romeu e Julieta.

Só que não.

Com a possibilidade de abrir um novo restaurante, paramos para pensar no que havíamos conquistado até então e o que queríamos das nossas vidas dali pra frente. Pensamos também no que realmente nos fazia felizes e em que valores nossas vidas estavam se apoiando.

Descobrimos que queríamos mais, mas não mais do mesmo. No fundo, parafraseando Renato, “sentíamos falta daquilo que ainda não havíamos visto”. Queríamos viver mais e não acumular mais coisas que nem precisávamos.

Num processo que durou alguns meses, fomos juntos desconstruindo velhos conceitos do que seria empreender e o que significava ter sucesso. Nos demos conta de que ter duas empresas com muitos funcionários não era necessariamente sinônimo de empreender; que conquistar uma carreira estável, com um bom salário, não era sinônimo de sucesso. Ao menos não para nós dois.

Aos poucos e a cada dia que se passava, nossa necessidade de fazer algo diferente, com propósito maior, foi aumentando. Precisávamos encontrar uma saída de emergência daquele trilho do sistema ou do conto da felicidade da carochinha em que havíamos nos colocado sem percebermos: nascer, crescer, estudar, trabalhar, cursar a universidade, trabalhar, casar, trabalhar, ter filhos, trabalhar muito, comprar uma casa, viajar uma vez por ano, trabalhar, trabalhar, trabalhar, esperar a aposentadoria e morrer.

Era hora de buscar outra alternativa, de fazermos algo que nos trouxesse aprendizado sobre as coisas mundanas, mas também crescimento interior; algo que aliasse empreendedorismo e qualidade de vida; uma escolha em que o enriquecimento espiritual estivesse mais presente que a evolução material, pura e simples.

Por que um projeto gastronômico?

“Viajar o mundo” era a nossa resposta pronta para a pergunta do Gênio do Alladin. Nada poderia ser melhor que ter a chance de conhecer vários países, visitar monumentos e museus, ver ao vivo paisagens de cartões postais, nadar em mares de sete cores, comer em vários restaurantes deliciosos, caminhar pelas grandes cidades do mundo…

Perfeito, não?

Sim, até o capítulo dois. Percebemos logo de cara que esse mar de rosas não era a resposta certa para as nossas inquietações. Não queríamos planejar férias, nem mesmo um período sabático. O nosso sonho, que se transformaria em projeto empreendedor e que hoje é a nossa vida, seria muito mais que um período de descanso entre dois períodos de trabalho.

Se viajar o mundo era o nosso plano A, aproveitar essa experiência de uma forma profunda, inovadora e sobretudo, transformadora, era condição indeclinável para fazemos esse plano acontecer. Partindo dessa premissa, o projeto gastronômico, que demos o nome de “Provando o Mundo”, surgiu espontaneamente.

Restaurantes, eventos gastronômicos, receitas, cardápios, provas de degustação, tudo isso sempre fez parte da vida profissional do Vinicius (e depois de doze anos juntos, muito da minha também). Além disso, nossas viagens de férias tinham sempre a mesma pegada, eram quase monotemáticas: onde e o que iríamos comer era sempre decidido primeiro. Fora isso, cozinhar juntos sempre foi o nosso “esporte” preferido.

A cozinha de nossa casinha.

A possibilidade de conhecer montanhas, desertos, museus, praias, castelos ou lagos nos cinco continentes nos instigou a sair de casa, mas foi quando pensamos que teríamos a chance de conhecer as diferentes culinárias do mundo que o nosso coração bateu mais forte! Enquanto Vinicius pirou pensando nos diversos ingredientes e técnicas de cozinha que aprenderia, eu me peguei eufórica com a possibilidade de visitar festivais de comida na Ásia e aprender sobre a relação das pessoas com a comida em diferentes culturas.

Hoje, depois de dois anos de estrada, sabemos que aquilo era só a pontinha do iceberg. Pesquisar a cultura gastronômica dos lugares nos permite conhecer pessoas incríveis e aprender sobre o território como poucas coisas poderiam nos ensinar. O que as pessoas comem tradicionalmente em um determinado lugar é fruto de inúmeros fatores – sociais, históricos, climáticos, geográficos, políticos e econômicos – e todos eles juntos nos ensinam um pouquinho sobre os cantinhos desse nosso mundão. (Bingo! Agora sim estamos falamos a nossa língua sobre o que é ter sucesso na vida!)

Por que viajar de carro?

Viajar de carro sempre foi o nosso jeito preferido de viajar. Fizemos várias viagens de carro pela América do Sul no nosso início de namoro. Depois, pela impossibilidade física (destino muito distante) ou temporal (poucos dias de férias), havíamos deixado de fazer esse tipo de viagem nos anos que antecederam a nossa volta ao mundo.

A razão essencial é que o carro nos dá mobilidade. Com ele podemos nos deslocar fazendo o nosso próprio roteiro e nosso próprio horário. Podemos chegar onde os meios de transporte não vão e ter a liberdade de parar no meio do caminho para curtir a paisagem ou seguir a diante se não tiver nada interessante na estrada.

Além disso, nós não encontramos o Gênio da Lâmpada, não tivemos a sorte de encontrar alguém que realizasse o nosso sonho num passe de mágica. Se quiséssemos mesmo tirar do papel (sim, já tinha saído da cabeça e ido parar no papel!) aquele desejo de conhecer o mundo através da gastronomia, teríamos grandes desafios pela frente e o principal deles era o dinheiro. Sempre ele!

Assim, o nosso jeito de economizar na estrada é morar no nosso carro. Nos meses que antecederam a nossa partida, adaptamos uma Toyota Hilux SW4 com cama, geladeira, fogão, banheiro portátil, pia e armários para guardamos roupas, alimentos, acessórios de cozinha, tudo no seu devido lugar.

Hoje, o nosso carro – que chamamos carinhosamente de casinha – é o nosso lar. Incorporamos uma vida minimalista e vivemos bem com muito pouco. Pensando melhor, depois de dois anos dessa jornada, poderíamos viver com menos ainda. Dos quatro pratos que temos, usamos apenas dois.

Por onde o Provando o Mundo já passou e quais os planos futuros?

Desde que saímos de Blumenau/SC em setembro de 2017, já passamos por 23 países. Os três primeiros meses de viagem foram dedicados ao Brasil. Conhecemos o nosso país do Sul ao Norte, passando pelas outras três regiões e o Distrito Federal. Do Acre cruzamos a fronteira para o Peru e de lá subimos até o sul dos Estados Unidos. Nesse meio tempo, deixamos o carro no México e demos um pulinho em Cuba também. Da Flórida enviamos o carro de navio para o Porto de Bremerhaven, na Alemanha, de onde iniciou o segundo ano do nosso projeto.

Na Europa, porém, tínhamos um obstáculo. O visto de turista permite que o brasileiro esteja apenas 90 dias em solo europeu. Então fomos direto para a Itália, onde demos entrada no pedido de reconhecimento da nossa cidadania italiana iure sanguinis. Com o passaporte bordô em mãos e a liberdade para conhecermos a cultura gastronômica da Europa sem tempo contado, partimos para conhecer cada cantinho da Itália, onde passamos os últimos doze meses. Nesse período, demos pequenas escapulidas aos países vizinhos: Áustria, Eslovênia, Croácia e Bósnia.

Aprendendo sobre a produção de queijo Grana Padano, na Lombardia, Itália.

O terceiro ano desse desafiador e instigante projeto gastronômico de volta ao mundo começou pela França, onde nos encontramos atualmente. Quanto tempo ficaremos na Europa? Não temos uma resposta pronta, mas ainda temos muito o que conhecer por aqui!

E depois, quais os planos para o final dessa jornada pelo mundo?

Essa é uma pergunta que muitos nos fazem, se abriremos um restaurante ou uma escola de cozinha. As opções são muitas, mas durante essa jornada é no hoje que nos concentramos. É no presente que colocamos a nossa energia e a nossa atenção.

O futuro, como dizem, é uma caixinha de surpresas! No dia em que sentirmos que as nossas vidas não estiverem mais alinhadas com os nossos desejos e valores, vamos parar tudo e nos perguntar outra vez: o que pediríamos para o Gênio da Lâmpada hoje?

Neste terceiro ano de viagem seguiremos compartilhando a nossa experiência pela Europa também aqui no Conexão Europa. Até o próximo post!

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